7 de fevereiro de 2025

DeepSeek AI, o novo chatbot chinês, desafia gigantes da tecnologia com um modelo eficiente e de baixo custo. Descubra como está a impactar o mercado global.
A DeepSeek AI é a mais recente inteligência artificial generativa da China e já vem a chamar a atenção no cenário internacional. Semelhante ao ChatGPT, o seu modelo, denominado DeepSeek R1, promete um desempenho comparável ao GPT-4 da OpenAI, mas com uma grande vantagem: um custo de desenvolvimento drasticamente inferior—apenas 6 milhões de dólares, em contraste com os mais de 100 milhões investidos pela OpenAI.
O grande diferencial do DeepSeek R1 reside na sua abordagem de raciocínio incremental, assemelhada à forma como os humanos resolvem problemas. Para além disso, a sua tecnologia foi desenvolvida através de uma estratégia eficiente que combina chips de alto desempenho com opções mais acessíveis, ao contrário das empresas ocidentais, que dependem fortemente da Nvidia.
O sucesso da DeepSeek gerou incertezas entre os investidores, desafiando a noção de que apenas chips de última geração podem suportar inteligências artificiais avançadas. No dia 27 de janeiro de 2025, a notícia do avanço da DeepSeek abalou o mercado financeiro, fazendo com que o índice Nasdaq caísse 3%, afetando diretamente empresas de semicondutores e de IA.
A Nvidia, que recentemente se tinha tornado a empresa mais valiosa do mundo, viu o seu valor de mercado despencar de 3,5 biliões de dólares para 2,9 biliões, permitindo que a Apple e a Microsoft reassumissem a liderança. Especialistas acreditam que a eficiência da DeepSeek poderá pressionar gigantes como a OpenAI e a Nvidia a justificar os elevados custos das suas tecnologias.
Governos de todo o mundo já manifestaram preocupações relativamente à privacidade e segurança no que toca à DeepSeek. Na Austrália, a IA foi proibida de dispositivos governamentais e, no dia 30 de janeiro, a Itália bloqueou a aplicação, exigindo que a empresa cessasse o processamento de dados de utilizadores italianos.
O motivo do debate? Os dados da DeepSeek são armazenados em servidores na China, o que levanta suspeitas sobre um possível controlo estatal e o acesso do governo chinês a informações dos utilizadores.
O avanço da DeepSeek repercutiu a nível global. O atual presidente dos EUA, Donald Trump, classificou a inovação como um “alerta”, defendendo que as empresas americanas acelerem os seus investimentos em IA para manter a competitividade.
Entretanto, a média estatal chinesa celebrou a DeepSeek como um marco na independência tecnológica da China. Contudo, os especialistas alertam para o risco de fragmentação do mercado de IA, onde os sistemas chineses e ocidentais evoluem de forma isolada, dificultando a colaboração internacional.
Tal como outras inteligências artificiais chinesas, como a Ernie (Baidu) e a Doubao (ByteDance), a DeepSeek evita temas politicamente sensíveis. Quando questionada pela BBC sobre o Massacre da Praça da Paz Celestial, a IA recusou-se a fornecer detalhes, refletindo a rigorosa censura do governo chinês.
Esta postura levanta questões acerca do viés algorítmico e da limitação do acesso à informação, o que pode afetar a credibilidade da DeepSeek para os utilizadores que procuram uma visão imparcial dos acontecimentos mundiais.
A DeepSeek foi fundada em dezembro de 2023 por Liang Wenfeng, um empresário com experiência tanto em tecnologia como em finanças. Antes de criar a IA, Liang liderou a High-Flyer, um fundo de hedge inovador que utilizava inteligência artificial para negociação quantitativa na China.
Com a DeepSeek, o seu objetivo é posicionar a China na vanguarda da inovação tecnológica, consolidando o país não só como seguidor, mas como líder global no setor da inteligência artificial.
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Quer saber mais sobre o impacto da DeepSeek AI? Leia o artigo completo da BBC aqui.